O modus operandi vincuniano pode ocasionalmente diferir muito dos métodos mágicos populares, tal diferença se deve ao fato de que, o mago que caminha por esta linha deve estar sempre disposto a independência e ascensão. Não venho tratar nesse texto da linha ética ou moral da ascensão, pois este assunto já pincelei em "A ética egoísta e a eudaemonia" e em  "O pré principio anterior ao inicio sem fim."
O método que venho propor a vocês leitores, os que leem o que escrevo com carinho ou com ira, não é o mesmo método que uso no presente, mas é bem próximo e útil para o que pretendo passar.
Aconselho a todos que pretendem terminar esta leitura com a capacidade de não se enganar com as minhas palavras ( o que só conseguirão se forem desatentos), que leia meus textos anteriores, principalmente o "A magia e as ferramentas".

A Criação do círculo.

É aceitável uma preparação antes da criação do círculo, para evitar um trabalho mau feito e essa preparação não deve ter necessidade de objetos simples como giz,athames,cajados ou qualquer outra ferramenta externa. Mas necessita, principalmente de uma auto-organização e treinamento abstrativo.
Deve-se atentar para os humores de seu espírito, um espírito irado irá transferir a ideia de ira para a programação do círculo a ser criado. Um círculo voltado para o uso em batalha pode ser bem programado sob a utilização da essência da ira(ou com a influência de marte, como dirá os textos obscuros).
A figura geométrica do circulo é utilizada simplesmente por este ser a forma que se liga a ideia de perfeição. O circulo é visto como uma figura perfeita simplesmente por ser igual em todas as suas partes (assim como o quadrado e o triângulo equilátero) e por ser, segundo nossa propria observação e o pensamento hermético(de Hermes Trimegisto), o movimento feito pelo universo a partir do modelo de pensamento do Todo aplicado pelo Demiurgo e assim, figura de transmutação e geração(não ler como gerar do nada, mas criar algo novo a partir de algo pré-existente).
"9-Ora o Noûs Deus, sendo macho e fêmea, existente como vida e luz, faz nascer de uma palavra um segundo Noûs demiurgo que, sendo deus do fogo e do sopro, criou governadores, em número de sete, os quais envolvem nos seus círculos o mundo sensível; e seu governo se chama destino."(Hermes Trimegisto, p 13)
"11- Porém o Noûs Demiurgo, conjuntamente com o verbo, envolvendo os círculos e fazendo-os girar zumbindo, coloca desta forma em ação o movimento circular das criaturas , deixando-as fazer a sua revolução segundo um começo indeterminado até o término sem fim, pois começa onde se acaba. E esta rotação dos círculos, segundo a vontade do Noûs, produziu, tirando-os dos elementos que se precipitavam para baixo, animais irracionais(pois não possuíam o Verbo próximo de si)[...]"(Hermes Trimegisto, p 13)
Para criar um círculo(ferramenta de contenção,proteção, transformação e geração) segundo o método vincuniano, é simplesmente uma mistura de vontade, abstração, imaginação e imposição de sensações e sentimentos.

Receita:
Em pé, se for noite apague a luz e acenda velas* no seu campo de visão sem exageros( o objetivo não é causar incêndios), caso se sinta mais relaxado coloque alguma música instrumental. Afaste os pés de uma forma em que o angulo entre suas pernas forme um triângulo equilátero*, leve as mãos com a palma face para cima até as coxas. Feche os e respire fundo, sem soltar o ar visualize um círculo no qual você é o seu centro, dobre levemente os joelhos e solte o ar na medida em que vagarosamente ergue os braços, enquanto levanta os braços imagine o circulo brilhando e uma chama branca brotando dele. Quando tiver erguido totalmente as mãos respire fundo rapidamente dessa os braços como um descer de asas e reuna as mãos(como em oração) em frente ao peito, soltando o ar de vez com o bater das palmas, nesse momento veja o círculo brilhando muito e explodindo em chamas brancas.(preencha o "ritual" com sons luminosos e sons de fogo).

Símbolos

*Velas: A baixa claridade direcionado a um ponto especifico incentiva a imaginação e a atenção, e auxilia (não é necessidade) na manipulação de energia.
*Triângulo equilátero com ponta para cima: Simboliza a ascensão, o elemento fogo(transformador, solve e coagula), as três substâncias(corpo, alma e espírito),funciona como elemento energizador.

Músicas sugeridas:

Clair de lune - Debussy
Cânticos gregorianos em geral
Requiem - Mozart

Observações:
Se você não tiver uma perna ou for paraplégico, pode fazer sentado(afinal não há muitas opções), se lhe faltar um braço ou dois, ou as mãos, mentalize-as, como se as tivesse. Se você não possuir algum dos 5 sentidos, é possível que este método não funcione bem.

Referências Bibliográficas.

Hermes Trimegisto, Corpus hermeticum, Editora Hemus, 1978. (Escrito provavelmente entre os anos 100 e 300 D.C.)


Vivenciar o ocultismo é muito mais que ascender velas e encher a casa de parafernálias bonitas e inúteis ao uso comum. A sagrada ciência está inserida em absolutamente todas as suas praticas diárias e cotidianas, desde a forma como se levanta da cama até a forma como torna a deitar-se nela ao fim do dia.  Muitos se consideram verdadeiros estudiosos, só por se dedicarem parcamente a uma ou duas praticas ignorando aspectos muito mais importantes e cotidianos como o tempo.
É fundamental ao buscador que, dentre muitas das doutrinas que lhe conduzirá a plena consciência, ele internalize e domine os seus tempos, compreenda o movimento das coisas e dos outros ao seu redor e seja capaz de se adequar a estas vibrações ou ainda quando necessário adequá-las ao seu mover. Esta é por tanto uma pratica integral e diária, não cabível a exclusão dos dias de preguiça, doença ou muito menos aspectos mundanos como férias e folgas.
Dominar e perceber o tempo são ainda uma quebra de paradigma, parar de percebê-lo como algo linear e padronizado e entender suas relações com nossas paixões e desamores são meios para que essa ruptura ocorra, é de fundamental obrigação do buscador que tais aspectos sejam internalizados e que ainda se compreenda a inteira relação que há entre os atos mágicos e o tempo em suas diferentes condições.  A compreensão de tais conexões facilitará o entendimento de muitos eventos da vida comum e de muitas formulas mágicas que eventualmente não saem como o esperado.
Aquele que se aplica verdadeiramente compreende que nenhuma dedicação pode ser integral se não se fizer presente no tempo certo e da forma correta, ou mais propriamente com o ritmo adequado. Este é um exercício que deve ser vivido e não simplesmente treinado, o tempo é e será ainda mesmo muito após a morte desse planeta, por tanto não esperará suas fraquezas pessoais como preguiça e fadiga para ser compreendido e perfeitamente usado como fonte de poder. A questão nunca será se o tempo esta contra ou a seu favor, a verdadeira pergunta é:” Você está contra ou a favor do seu tempo?”
 Progredir Sempre!

FIM DO MUNDO PARA QUEM?

            Uma das coisas que mais marcaram no início desta década foi, sem sombra de dúvidas, o enigma a respeito do calendário Maia, que apontava o “fim dos tempos” no dia 21/12/2012. Muita gente ficou inquieta e preocupada com a ideia de um fim do mundo neste ano, mas ao passarmos da tão falada data, os Maias viraram motivo de zombaria por parte de muitos, por “errarem” a previsão do “apocalipse”. Uma coisa que eu gostaria de esclarecer ao leitor é este enigma sobre o calendário dos Maias.
            Antes de falarmos em fim do mundo (ou fim dos tempos), precisamos nos atentar quanto à visão de mundo do povo que criou o calendário: Os Maias. Eles, como vários outros povos da América, tais como os olmecas e os mexicas, não tinham uma noção escatológica da história. Para eles, a história nunca teria um fim, pois a cada final de um ciclo, outro teria início até chegar ao fim e ceder lugar a um outro e assim por diante.
            Pois bem, o famoso calendário foi criado seguindo esta lógica cíclica da história. Os Maias calcularam um ciclo que teria um final na data de 21/12/2012 (para o calendário gregoriano). A partir da entrada do sol em capricórnio no presente ano, isto é, 22/12, uma nova era se inicia e teremos um novo ciclo pela frente, com lentas e graduais mudanças físicas, geológicas, sociais e espirituais. Foi isto que este povo previu. Mas e quanto ao fim do mundo? Bem esta pergunta é facilmente respondida e esta concepção, desmistificada.
            Esta noção de uma história apocalíptica, escatológica é proveniente da cultura judaico-cristã. Após a ocupação dos europeus ao continente americano (século XV), vários elementos místicos da cultura dos povos ameríndios passaram a ser interpretados sob a óptica religiosa dos conquistadores. Logo, o calendário Maia passou a ter uma visão escatológica, e não mais cíclica, até os tempos atuais.
Com a chegada da tão falada data, os maias passaram a ser ridicularizados por terem “errado” a previsão do fim do mundo. Mas eles jamais falaram em fim do mundo, visto que não possuíam esta noção da história. Ao contrário, eles acertaram com precisão o final de um ciclo.
            Contudo, esta mística apocalíptica é fruto da nossa ignorância, aliada à ideia apocalíptica que aprendemos a ter de berço na nossa cultura judaico-cristã. Antes de tentarmos ridicularizar povos mais antigos pela sua produção cultural, devemos, antes, procurar estudar sobre quem eles eram realmente, o que pensavam, no que acreditavam e como explicavam os acontecimentos históricos. O fim do mundo não cabe a um pensamento cíclico, como o dos Maias. E no final das contas a verdadeira piada é a tentativa deprimente de tentar, mais uma vez, “cristianizar” uma cultura epistemologicamente distinta dos padrões judaico-cristãos.

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